

17:47:03, TERRA_CATEGORIES: Coluna. TERRA_POSTED_BY Juliano MachadoAcabo de ler “Travessuras da menina má”, do Mario Vargas Llosa (Alfaguaia). Não sei o que escrever e nem o quereria. É um bom livro, de um escritor que domina a escrita e sabe bastante bem o que faz. Uma história gostosa e envolvente, por vezes triste, por vezes fantástica e muitas vezes banal. É também um belo painel de Europa, sobretudo de Paris, num reticente contraste com o sub-desenvolvimento da América do Sul, no contraponto peruano (Llosa é peruano). A tradução e a revisão da primeira edição me parecem, deixam um pouco a desejar.
Mas, o que preciso dizer do livro é uma breguice, mon vieux: me tirou umas lágrimas, de quando em quando. Tortuosa, exagerada, brega e quase sempre ridícula, é uma história de amor. Do amor de um bom menino por uma menina má. De um amor que atravessa os anos e se torna ele mesmo a única matéria que importa para o narrador.
E a verdade é que já vimos essas histórias mil e uma vezes contadas e recontadas, os amores que duram anos, que surgem depois de grandes espaços de tempo, que são risco brevíssimo de estrela cadente, que são tantas coisas sendo no fim, enfim, amor. História de amor que é sempre brega e ainda assim, ou por isso mesmo, comovente.
p.s. - não descarto, entretanto, que o livro seja apenas um divertido e exagerado enredo de desencontros afetivos, e eu um romântico incorrigível ou um solitário carente, que alguma hora terá um aneurisma por frustrações daí decorrentes.

(Na foto, a capa do romance de Mario Vargas Llosa, "Travessuras da menina ma", da editora Alfaguaia).