

21:19:22, TERRA_CATEGORIES: Coluna. TERRA_POSTED_BY Juliano MachadoSei que deveria estar indignado com a vergonhosa situação do senado federal, com as manobras indecorosas e patéticas de Renan Calheiros para se manter no cargo, debaixo da conivência de um senado que, no mínimo, se omite de esclarecer os fatos. Ou então com as ridículas e ofensivas explicações de Joaquim Roriz, que o fazem parecer um bufão histriônico que só não arranca qualquer sorriso porque os idiotas em questão somos nós, os eleitores. É verdade que estou indignado com tudo isso. Mas, como seu brasileiro e apaixonado pela coisa mais importante entre as menos importantes, e sobretudo porque o jornalismo político é bastante mais incisivo e melhor que o esportivo, falarei do Dunga.
Porque não é possível que não se fale do Dunga. Não é coincidência que o Brasil vá a campo amanhã sem o seu camisa 10 da mesma maneira que o foi em 1994, sob os auspícios de Parreira e tendo Dunga como capitão. Deixo de lado a organização do time que segurou Raí (o então camisa 10) no banco, e quem quiser que vislumbre paralelos.
Diego não tem culpa. Anderson (camisa 10+10) não tem culpa. Culpa tem-na o técnico que posiciona seus dois volantes tão próximos aos zagueiros e não permite que estes se aproximem em boas condições dos mais adiantados. Gilberto Silva é primeiro volante. Mineiro é segundo volante. E que não se enganem, Luxemburgo nunca se enganou no seu Santos de 2002: Elano também é volante. Portanto temos um time em que os laterais não apóiam (não me perguntem porque que diabos Maicon e Gilberto não sobem. O Daniel subiu contra o Chile, talvez volte para o banco por conta disso), e que deixa seu único meia, talentoso e criativo, melhor jogador do campeonato alemão perdido e isolado, tentando se aproximar de dois jogadores leves no ataque, que afinal, e isto não é necessariamente um defeito, não seguram a bola para que ele se aproxime. O que se aplica a Diego, serve para Anderson.
Mas, Dunga se supera. Amanhã vamos a campo com 4 volantes. Quais sejam Gilberto Silva, Mineiro, Josué e Júlio Batista. Não se enganem, Nelsinho nunca se enganou no seu São Paulo: Júlio Batista é volante (ou centroavante, um dia acreditaram os espanhóis). E Dunga disse na coletiva: “futebol é uma coisa estranha, com três volantes em campo eu fiz dois gols” (sic). Eu não sei não, mas se Robinho não fosse um brincalhão genial com a bola e o Suazo um apenas esforçado centroavante, você não teria feito dois gols não, Dunga. Aliás, Dunga jamais fez dois gols.
p.s. – se é que há consolo, a tese reiterada do Juca Kfouri ajuda: esta é a seleção da CBF, com o técnico do Ricardo Teixeira.

(Na foto, Ricardo Teixeira e Dunga. Enquanto eles sorriem, nós choramos. Exceto, talvez, Joaquim Roriz e Renan Calheiros, que por sinal, estão na foto logo abaixo)

(Na foto, Renan Calheiros e Joaquim Roriz, enquanto eles sorriem, nós choramos. Exceto, talvez, Ricardo Teixeira e Dunga, que por sinal estão na foto logo ali em cima).