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Literatura, Política, Bares, Arte, Futebol e outras besteiras e presunções.
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18.03.07

TERRA_PERMA_LINK 16:21:02, TERRA_CATEGORIES: Coluna. TERRA_POSTED_BY Juliano Machado

O esboroante destino dos livros de poesia

“(...)livros são papéis pintados com tinta(...)”

Fernando Pessoa in “Liberdade”, de “Cancioneiro”.


Quem gosta de livros, e não apenas de lê-los, tem um zelo todo maternal com o dia-a-dia e o manuseio. Não permite que eles fiquem empilhados, que se lhes coloquem coisas em cima, que estejam próximos de água, comida, animaizinhos de estimação ou crianças pequenas. A biblioteca tem sempre que ser espanada, não gosta demarquem as páginas com as orelhas, muito menos que se rasure o tomo. Aliás, é de bom agouro colocar saquinhos plásticos transparentes nos mais raros e queridos, e quem sabe mesmo dizer agô quando colocar os pés no templo onde eles repousam.

Eu cuido assim dos meus livros. Emprestá-los é um exercício contraditório interessante, na medida em que a vontade de divulgar leitura, alcançar mais gentes na maravilha da literatura esbarram numa paixão egoísta de posse e cuidado com o objeto. Que prazer oferecer o meu “O Coronel e o Lobisomem” com prefácio gráfico do autor, ilustrações do Potty, comentários da Rachel de Queiroz numa bela edição esgotada da José Olímpyo de 1986... Mas, e o medo de que se me não volte o livro arrumadinho e bem cuidado como ele foi entregue? Normalmente o egoísmo não triunfa, mas o coração bate miudinho nos dias de empréstimo.

Sempre que leio um livro ou torno a ele, preservo-o muito, evitando deslocamentos desnecessários, idas e vindas que podem ser evitadas. E assim se vão conservando, por mais que os tomemos a reler, ou os emprestemos a mãos incautas. Embora muito emprestados e relidos, os meus Saramagos continuam bonitos, exceto o “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que sofreu um acidente lamentável, chapinhando involuntariamente numa poça d´água (involuntário o dono, que o livro, vai-se a saber se não queria imitar o menino Jesus do Alberto Caeiro).

Mas há os livros de poesia. Por exemplo, confesso que estou na minha terceira edição das obras completas do Manuel Bandeira, aquela da Nova Fronteira, azul, que tem uma rosa-dos-ventos dourada na capa e atende pelo nome de “Estrela da vida inteira”. Não dá pra ficar sem o Manuel Bandeira por perto. Escola, carro, viagem, “no vento, na cachoeira, no eclipse”, a poesia urge ser lida e não indaga de lugar ou tempo. Aquele momento de recorrer a um verso esquecido de “Momento num Café” é premente, não marca hora, não espera. É um correr e abrir, procurar a página, vira-la, revira-la, e isto também é uma concorrência efetiva para o desgaste prematuro do livro, tão distinto da leveza que dedicamos ao trocar de folha num “Crime e Castigo”.

O livro de poesia, tem de passar de mão em mão, tem que ir ao colo de todos. Minha obra completa da poesia do Fernando Pessoa está assim toda judiada porque precisou de comunicar. Tido sempre a tira-colo ele é lido em voz alta, mas depois, emprestado a que cada um da roda leia por si só o poema, veja o símbolo, sinta a página. Conversava com uma amiga estes dias sobre a subjetividade da poesia e notei a ela que apesar de tudo, há no poema uma coisa que é física, material, que é a visão da letra escrita, da forma, da fonte, da impressão. Ela é entendida nas engenharias químicas e talvez me compreenda agora melhor na química que existe entre um livro e seu dono.

O livro de poesia tem uma ânsia de comunicar, ser lido e tocado que transcende os outros livros. A vida é mais curta, mais perigosa, mais incendiária, porque doar-se de mão em mão é o caminho mais fácil para o atrito que esboroa o impresso, as páginas, a capa. Tem que ver com intensidade, sem dúvida. Os livros podem ser então como um projeto de vida. Se reclusos e calmos, tácitos e contemplativos, duram tantos anos que se fazem passar por gerações apresentando o “D. Quixote”. Contudo, se imprudentes, arriscados, inconseqüentes, são lume vivaz, fogo-fátuo, brasa que queima firme para apagar-se em pouco tempo, é uma “Libertinagem”, uma “ Rosa do Povo”, e passam em tantas mãos, em tantos calores, por tantas paixões que não têm outro remédio senão desfazerem-se, irem abandonando as plumas ao vento, existindo tão intensamente como as palavras que carregam, e talvez como elas, deixando com fugacidade a vida, como o som de um poema encontra o silêncio depois de declamado.

TERRA_COMMENTS (14)
TERRA_PERMA_LINK 13:15:08, TERRA_CATEGORIES: Coluna. TERRA_POSTED_BY Juliano Machado

Adeus

Retirado do blog respirar o mesmo ar :

Aprendendo a aprender

Regra n.o 1 das despedidas: não dizer adeus.

Este blog e alguns outros se me enfiaram no computador através de um chamado A Natureza do mal. São uns portugueses que tem muito a dizer e o fazem com fino humor e destilada inteligência. Vale a pena conferir.

A Natureza do mal: http://anaturezadomal.blogspot.com

respirar o mesmo ar: www.respiraromesmoar.blogspot.com

 

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16.03.07

TERRA_PERMA_LINK 20:10:54, TERRA_CATEGORIES: Contos. TERRA_POSTED_BY Juliano Machado

Gamelo

a meu amigo Renato Smirne, que me ofereceu a idéia, e sempre está do meu lado nas dificuldades.

“A gente colhe o que a gente planta”
ditado popular


O homem errava ao encontro do rio. Ia no sentido da jusante, convicto, com apenas um gamelo em mãos. Quando chegou à margem pensou que haveria, por óbvio, uma terceira como algures havia lido. Mas fosse caso para outras reflexões, pois a de agora era esvaziar este rio com o gamelo que trazia consigo. Apressou-se na faina, era lá lide de horas, dias, quiçá século. Empertigado no limiar, o homem baixava o gamelo, enchia-o da água diáfana do rio e entornava o recipiente cerca de três metros para frente numa reta normal com a margem direita. Ia adiantado no serviço quando, sol esmorecido quase de todo, o caminhante se aproxima, põe-se de cócoras, dá dois piparotes num alforje que traz consigo chamando atenção para sua presença e diz:
— Boa tarde, pretendes esvaziar o rio?
— É o que tenciono.
— Pelo visto não vais a contento...
— Havendo força e tempo não faltando...
— Sim, tens razão, mas esqueceste de algo.
— Quê?
— Onde andas a despejar a água que vens retirando?
— Ali, pouco adiante.
— Vejo.
— De quê me esqueci?
— De que ali só há uma cova, e mesmo que vás cavar outras, não poderiam elas ser suficientes a toda água do rio...
— Não alcanço, e lembro-te de que havendo força e tempo não faltando...
— Sim, mas se conseguires cavar tão fundo e largo, apenas estarás a transpor o rio, e aí, de que te valeu?

O homem pousou o gamelo no chão, secou com os punhos um suor qualquer da testa e não fitou o caminhante. Havia sido pego num dilema, havia-se-lhe escorregado o sentido de seu trabalho. Soerguendo um pouco mais o corpo afim de aparentar dignidade humilde, perguntou:
— O que é que me sugeres?
— Planta e rega com o gamelo.
O homem então apontou o dedo e respondeu:
— Ali ao pé da gameleira andei colhendo tudo quanto plantei e mais muito que nem havia sido eu o semeador.
— A gente aqui colhe o que planta, e a gente aqui colhe mesmo o mato ruim que não plantou.
— Aí é que tens, por conta de vir pegado ou se misturar na barriga da terra com o que era nosso, pelo mal que aramos arrancamos do chão muitos mais males que os nossos próprios.

O homem rematou com essas palavras a conversa, e como sabia que do caminhante não viria por ora senão o silêncio, pôde olha-lo de frente, já nessa altura com um sentimento de cumplicidade. O homem e o caminhante haviam se entendido, mas no silêncio mútuo ficava a aresta ardida do que ainda faltava dizer.

O caminhante levantou-se e disse:
— Vá lavrar a leira, não é por semeares uma vez mal e arrancares os teus e outros males que não podes mais mexer na terra.
— Não tenho comigo sementes.
— Ali na beirada do rio deixei umas que encontras à mão.
— E então?
— Usa a cova que já cavaste de rego.
— Ficou muito funda.
— Cava um rego do outro lado e tapa com a terra que vais tirando da segunda, a fundura da primeira.

O homem abaixou-se a apanhar o gamelo, olhou na direção do caminhante que havia reclinado a cabeça num movimento de quem ia abrir o alforje mas desistisse no caminho. O homem caminhou em direção ao ponto indicado da margem e encontrou as sementes, depositou muitas delas no gamelo, depois fez concha com as palmas da mão e sorveu um tanto de água do rio. Ao erguer-se, deu com o caminhante ao seu lado e afirmou:
— São boas as sementes.
— Vai lá trata-las na terra.
— E se eu tornar a plantar mal?
— Pode ser que assim seja.
— E se, plantando bem, nascer raiz ruim pegada com as boas?
— É muito provável, até.
— Então de que me serve?
O caminhante não respondeu, esperou que o homem fosse lento chegar-se à leira e só quando este se agachou para novamente transformar a mão em concha e cavar, falou na voz alta:
— Serve-te para saberes que sempre haverá semente e terra!
— Disso já eu sabia, me faltava encontrar novamente uma e outra
— Então toma por léria minhas palavras?
— Não, não tomo, porque sei o que carregas no teu alforje.

Antes de tirar a segunda porção de terra do segundo rego, o homem observou o caminhante ao lado da margem do rio, a imagem se misturava com o pôr-do-sol, e o caminhante agora abrira o alforje e tirando algo de dentro gritou ao homem:
—Também eu precisava lembrar-me de que há sempre o rio e sua água!

O homem nada respondeu, baixou na terra para retirar agora o terceiro lote do segundo rego e viu o caminhante descer o gamelo até a água, enche-lo até a borda e ir depositar o conteúdo numa cova que ainda não começara, enfim, a cavar.

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15.03.07

TERRA_PERMA_LINK 15:16:29, TERRA_CATEGORIES: Coluna. TERRA_POSTED_BY Juliano Machado

Nome; sobrenome

Julinho


Na década de 60 o Santos foi para São José do Rio Preto fazer um jogo pelo campeonato paulista. O time que tinha Dorval, Pepe entre outros, além é claro do Pelé, era já imbatível à época. Acontece que naquele dia, o América, time local, venceu a equipe praiana por 3 x 2, com uma atuação brilhante de um zagueiro chamado Julinho, que simplesmente, dizem os comentaristas, anulou o Rei. Na mesma noite, após colher os louros da vitória, dar entrevistas no rádio e tudo o mais, o Julinho foi encontrar a namorada num bairro de Rio Preto. Ao que consta nos ditos populares, o pai da mocinha não era lá muito fã do jogador, desaprovando o namoro, e tendo mesmo proibido a filha e ameaçado o namorado. Julinho levou a moça para um botequim das cercanias, e num adergo maior que o estádio do Teixeirão, houve uma discussão entre um torcedor fanático do Santos e outro fiel ao América. Bom, demorou pouco para perceberem que o genial zagueiro que anulara Pelé estava ali, e então a confusão aumentou. Julinho, para não entrar na disputa, disse que não era Julinho, mas na continuidade do calhar que o ajudava apareceu o pai da namorada, vindo por escutar a gritaria em torno de “algum” Julinho. Ao vê-lo agarradinho com a filha, num momento de histeria, sacou de uma pistola, e antes de disparar duas vezes, teria dito: “Ah, Julinho, é você mesmo, é você mesmo, Julinho, eu te avisei...”. Parece que o santista que deu azo à confusão confabulou baixinho aos colegas americanos: “Era o Julinho mesmo, mas não era pra tanto matar o rapaz. Esse aí é mais santista do que eu”.


(Na foto acima, o gramado do Teixeirão. Na foto abaixo, a Tatiana quando era um tiquinho de gente. Bem na verdade um pouco mais que tiquinho de gente)

Boamorte

Agora a minha otorrinolaringologista, de posse de um exame de polissonografia, asseverou-me que preciso de fazer uma cirurgiazinha na garganta, ou amídala, ou lá o que seja para desobstruir a passagem de ar. Calcula ela que eu vá poder dormir melhor, ou dormir um pouco, coisa que me seria uma benção visto que há muito não passo uma noite de sono a que chamamos reconfortante. A doutora é velha conhecida e amiga da família, inclusive já fez este mesmo procedimento cirúrgico na minha irmã Tatiana, e isso quando ela era só um tiquinho de gente. O que é divertido na doutora é o seu sobrenome: Boamorte. Isso não me incomoda de maneira alguma (parece que assustou um pouco minha mãe nos idos da cirurgia da Tatiana), até porque, a Dra. Rosângela é um exemplo de competência, conhecimento e atenção minuciosa aos pacientes. Mas, não deixa de ser curioso que a Boamorte passe sua vida tentando fazer da vida alheia uma Boavida e que, se por acaso for a hora de ir desta encontrar o Julinho, seja pelos afagos de uma boa morte, nem que seja a nossa senhora que o Manuel Bandeira costumava invocar em suas preparações para a visita da “dama negra de muita distinção” (é bom que se diga que no caso dele a tal senhora demorou 82 anos para lhe sorrir).

Ciência Divertida

Em 1948, participando dos debates que discutiam os modelos de big bang na evolução do universo, o cientista George Gamow assinou junto com seu orientando, Ralph Alpher, um artigo famoso por representar os estágios primitivos do cosmo, fazendo a previsão de que a radiação, na forma de fótons, vinda do início do big bang, ainda deveria estar espalhada por aí (e por aqui, em 2007, também), embora com temperatura reduzida a apenas uns poucos graus acima do zero absoluto (o que é um frio de doer o osso). Quando foi publicar seu artigo, Gamow convidou um colega cientista nuclear (e que nada tinha que ver com as pesquisas sobre os fótons) para emprestar o seu nome na assinatura da publicação. Hans Bethe topou a brincadeira e o artigo sobre o nascimento e origem do universo saiu assinado por Alpher, Bethe e Gamow, as três primeiras letras do alfabeto grego. Difícil imaginar que o Julinho estivesse escapado da fúria do pai homicida se se chamasse Boamorte (manchete: “beque central Boamorte acaba com Pelé em Rio Preto), como também não acho que melhor será a minha cirurgia do mês que vem se for com a Dra. Rosângela Gamow. Mas, Julinho Gamow Boamorte assinando um artigo sobre as temperaturas do universo no instante imediato ao big bang seria convincente até demais. E a Julieta disse ao vento (sem saber que Romeu a escutava): “(...)What's in a name? that which we call a rose/ By any other name would smell as sweet (...)”.

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12.03.07

TERRA_PERMA_LINK 20:56:36, TERRA_CATEGORIES: Contos. TERRA_POSTED_BY Juliano Machado

Madrugada no P.S. II

Fiquei em frente ao prédio um bom tempo, me exercitando na guia da calçada de mãos enfiadas no bolso. Ia nessa viagem quando as sirenes de uma ambulância estouraram numa das esquinas de baixo da Carvalho Filho e em alguns segundos dobravam a La Salle para entrar no Pronto Socorro. Correria. Gente vindo, gente indo. Fiquei de parte, e só então notei que o furgão que aparecera era na verdade do resgate, corpo de bombeiros, ou algo do gênero, e não uma ambulância. Os para-médicos tiraram duas pessoas de dentro do veículo e foram todos para o prédio. O silêncio voltou e durou menos que uma fagulha porque na esquina já brilhava o giroscópio barulhento de outra ambulância, dessa vez, ambulância mesmo. Agora somente uma mulher e um enfermeiro desceram, com bastante mais calma, embora de onde eu estivesse pudesse reparar que a moça tinha as roupas muito rotas de sangue. Festinei para o estacionamento na avenida, precisava ser rápido, tinha toda cara de ter sido acidente de trânsito e não demoraria nada a polícia deveria aportar no local. Usei novamente a capa do livro, dessa vez apoiada no capô do pálio verde de minha mãe e mandei mais dois tiros, que encerravam minha participação naquela noite. A zes apareceu de novo, rutilante como antes, e no estardalhaço pensei ter ouvido a voz do médico. Ah, ah. Não foi a voz do médico, foi um gato preto que passou debaixo do carro, voando. Fiquei ali de bobeira uns bons minutos, até chegarem dois carros de polícia, todos muito calmos. Então voltei ao box 11 a ver como estava a minha mãe.

A luz estava acesa e mamãe dormia. Ao seu lado, na outra maca do quarto, uma mulher estava deitada, de olhos arregalados, com um sorriso nervoso metido nos lábios. Era linda, não teria mais que vinte e pouquíssimos anos, loira, olhos verdes, e um corte profundo começando ao lado da sombrancelha direita e descendo diagonalmente até cruzar o diâmetro do nariz. O médico que fazia a sutura foi o que cuidara de minha mãe. O enfermeiro gay auxiliava o doutor de cabelos grisalhos, compridos e lisos a la Antônio Fagundes, e as vezes perguntava à jovem se sentia alguma coisa, ao que a moça respondia sorridente, “depois da anestesia local, não”. Acabou-se o curativo e todos saíram da sala. Permaneci sentado na cadeira aos pés da maca de mamãe, o que me deixava, se inclinasse o corpo um tanto, numa posição muito confortável, embora não exatamente próxima, para observar e conversar com a moça linda. Não perdi tempo, perguntei de enfiada:
— Como é que você está, afinal o que houve?
— Bateram no meu carro. Dois homens, nem sei direito o que aconteceu, perdi o sentido na hora.
— E você, se sente como? Se não quiser conversar, claro... E seus pais?
— Não, tudo bem, estou legal, só não sei se vou ficar igual ao Frankenstein com a cicatriz da testa, foi fundo?
— Acho que foi fundo sim, mas nem com dez iguais você conseguiria ficar feia.
— Está me cantando dentro do hospital, logo depois do meu acidente?
— Estou, e além disso com a minha mãe deitada na maca ao seu lado...

Ela olhou a esquerda para ver a senhora na maca e nós dois rimos por alguns segundos. Sorrindo, ela ficava ainda mais linda, misturando graça e um pouco de desconforto em razão da trombada. Parece loucura, mas o sangue no cabelo dela emprestava um ar selvagem, que se dissolvia nos traços muito delicados do rosto. Ou então, eu estava mesmo muito chapado.

continua

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